Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa

Séculos XIII / XIV

O rei D. Dinis manifestou-se favorável à criação, no ano de 1288, do Estudo Geral de Lisboa. O Papa Nicolau IV, por bula de 9 de Agosto de 1290 (data que consta para referência da sua fundação), confirmou-lhe o estatuto de Universidade, em cujas matérias se incluía a Medicina (então com a designação de Física).

Em Lisboa, o Estudo Geral funcionou inicialmente no bairro de Alfama (no então designado Campo da Pedreira) e depois na Sé, em espaços sempre precários, cedidos ou arrendados com a frequente intervenção e apoio da família real.


Séculos XV / XVI

Somente em 1431 teve a Universidade instalações próprias em Lisboa, em casas de dois andares situadas na freguesia de S. Tomé, que haviam sido doadas e remodeladas por intervenção e a expensas do Infante D. Henrique.

No reinado de D. Manuel l as condições melhoraram substancialmente, com a transferência da instituição para propriedades que haviam sido o Paço do Infante D. Henrique, junto à Igreja de Santa Marinha.

Hospital Real de Todos-os-Santos
O ensino e a prática da Medicina foram modificadas radicalmente com a fundação, por D. João II em 1492, do Hospital Real de Todos-os-Santos, em Lisboa. Alguns anos mais tarde, cerca de 1504, D. Manuel I, numa medida pioneira e de grande visão estratégica, determinou que a cirurgia fizesse parte da matriz da formação médica na Universidade, sendo o seu ensino realizado naquele Hospital. Este Hospital localizava-se na antiga Praça da Figueira, com a fachada orientada para o Rossio, sendo um edifício majestoso para a época.


Séculos XVII / XVIII

O edifício foi destruído por dois incêndios (1610 e 1750) e sucessivamente reconstruído, desaparecendo definitivamente no terramoto de 1755.

O Marquês de Pombal instalou o Hospital Real e Nacional de S. José (por reinar D. José I) em 1770, em substituição do destruído Hospital Real de Todos os Santos.


Século XIX

É criada a Real Escola de Cirurgia de Lisboa, com atribuições específicas de ensino médico.

A Escola Médico-Cirúrgica – 1836
Aquela Instituição toma a designação de Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, sendo o ensino clínico principalmente leccionado no Hospital de S. José.


Século XX

Em 1906 é inaugurado o edifício da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, no campo de Santana. O ensino clínico continua a ser leccionado na enfermaria de Santa Bárbara e Santa Maria Ana, do Hospital de São José.


1910/1911

Com a implantação da República, o Governo transforma a Escola Médico-Cirúrgica em Faculdade de Medicina de Lisboa, sendo a maior parte do ensino clínico transferido para o Hospital (Escolar) de Santa Marta. Com o alargamento do programa curricular, os dois edifícios tornam-se insuficientes para o ensino.

Este passou a ser complementado em diversas instituições e serviços, na generalidade situados nas proximidades do Campo de Santana (Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, Instituto Oftalmológico Gama Pinto, Instituto de Higiene e de Medicina Legal, Hospital D. Estefânia, Hospital do Rilhafoles) ou mais distanciados (Hospital do Rego, Faculdade de Ciências).


1933

É iniciada a planificação de um edifício comum para instalação do Hospital Escolar e da Faculdade de Medicina de Lisboa.


1939

O Governo aprova o projecto do novo edifício.


1944

É iniciada a construção do edifício, sob responsabilidade da Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários.

É iniciada a planificação de um edifício comum para instalação do Hospital Escolar e da Faculdade de Medicina de Lisboa. – O Governo aprova o projecto do novo edifício.

É iniciada a construção do edifício, sob responsabilidade da Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários.


1949

O Professor Egas Moniz recebe ao Prémio Nobel em Medicina e Fisiologia pela “descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses”.


1952

O Hospital Escolar transita do Ministério da Educação para o Ministério do Interior sendo integrado nos Hospitais Civis de Lisboa. Desta medida resulta que o ensino médico passa a depender de duas tutelas; Ministério da Educação e Ministério do Interior (ou dos Assuntos Sociais ou, finalmente, da Saúde).


1997

O Ministério da Educação aprova o projecto do novo edifício e autoriza a abertura do concurso público internacional para a respectiva construção, a concluir num prazo não inferior a três anos.

Entretanto, há grandes constrangimentos em espaços físicos para ensino e apoio pedagógico-científico, o que impede o normal desenvolvimento do novo programa curricular e das metodologias de ensino que Ihe dão suporte.


2000

É iniciado o 6.º ano do novo plano curricular, que decorre como estágio clínico orientado e programado em unidades hospitalares e centros de saúde do sistema nacional de saúde. Além do Hospital de Santa Maria, que continua a ser o Hospital nuclear, colaboram naquele estágio clínico, como locais de formação nas valências obrigatórias ou optativas, 10 Hospitais e 45 Centros de Saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, do Alentejo e do Algarve.


Século XXI

Em 2001 é aprovado pelo Governo (Ministérios da Educação, da Saúde e da Ciência e Tecnologia) o Programa de Desenvolvimento da FML para 2001-2006, que inclui dois novos edifícios, re-apetrechamento e obras de beneficiação nos serviços que permanecem no edifício hospitalar.

É aprovada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia a criação de um Laboratório Associado da FML, designado Instituto de Medicina Molecular (IMM), que engloba seis dos Centros de Investigação Científica que, por avaliação externa, haviam obtido a classificação de excelente ou muito bom.


2002

É concluída a construção do novo edifício pertencente à Faculdade de Medicina de Lisboa, e tem início o concurso público para a instalação do mobiliário e equipamento.


2003

É iniciado o projecto para a construção de um segundo edifício, no âmbito de Programa de Desenvolvimento da FML, para a reinstalação de um núcleo funcional do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana.


2003 a 2004

Decorrem os processos de elaboração de propostas técnicas e de concursos para a dotação do novo edifício.


2004

Em finais de Abril de 2004, começa a mudança de unidades estruturais e grupos de trabalho que ficam instalados no novo edifício.

Em 24 de Abril decorre a visita inaugural com a presença do Primeiro Ministro, Ministra da Ciência e do Ensino Superior e do Reitor da Universidade de Lisboa. É assinado o Contrato Programa de Desenvolvimento.

A nova construção da FML passa a ser designada edifício “Egas Moniz”.

De 8 a 11 de Setembro, tem lugar nas novas instalações da FML o 23.º Congresso Europeu de Microcirculação.

O edifício é integralmente activado para o ensino e investigação a partir de Setembro de 2004.

A história do Hospital de Santa Maria remonta a 1934, aquando da aprovação do Decreto-Lei relativo à criação da comissão administrativa dos novos edifícios universitários, presidida pelo Professor Francisco Gentil. Esta comissão seria, então, responsável pelos edifícios que iriam albergar os hospitais escolares, tanto em Lisboa como no Porto. O então Hospital Escolar de Lisboa foi concebido pelo alemão Hermann Distel em 1938 e a sua construção iniciada em 1940, no Campo Grande. A obra foi concluída em 1953 tendo sido na altura considerada uma das maiores realizações do Estado Português até então.

No decurso das obras foi publicado um decreto-lei (em 1952) que integrou todos os hospitais no então Ministério do Interior o que levou a que o inicialmente Hospital Escolar de Lisboa sob a tutela única do Ministério da Educação, passasse a Hospital de Santa Maria, tutelado por dois diferentes ministérios (Ministério do Interior e Ministério da Educação). A inauguração solene do edifício ocorreu a 27 de Abril de 1953, sendo que em Outubro do mesmo ano se deu a abertura do novo ano lectivo da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa já nas novas instalações do hospital. Em 1968 iniciou, nos terrenos do Hospital de Santa Maria, a construção dos edifícios da escola de enfermagem, financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian. As obras foram concluídas em 1972, tendo a então Escola de Enfermagem do Hospital de Santa Maria, sido transferida para os novos edifícios, ao mesmo tempo que passava a ser designada Escola de Enfermagem de Calouste Gulbenkian, actualmente designada Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Em 1975 o decreto-lei 674/75 de 27 de Novembro decreta a extinção dos Hospitais Escolares que passam, a partir de então, a ser equiparados aos restantes hospitais e os seus médicos integrados nos quadros dependentes da Secretaria de Estado da Saúde.

Em 2004 foi inaugurado, também nos terrenos do hospital, o Edifício Egas Moniz, destinado à Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a albergar o Instituto de Medicina Molecular.

Também em 2004, o decreto-lei número 206/2004, de 19 de Agosto, restitui ao Hospital de Santa Maria a designação de Hospital Universitário. A 29 de Novembro desse ano foi feito Membro-Honorário da Ordem do Mérito.

Em Janeiro de 2007 o Hospital de Santa Maria foi convertido numa Entidade Pública Empresarial (EPE), tendo sido posto em prática o Plano Estratégico 2006-2008 que visava a requalificação global do Hospital.

A 9 de Outubro de 2007 foi apresentado o projecto do novo edifício Sul, designado Edifício Cid dos Santos, que deverá albergar blocos operatórios, cuidados intensivos, cirurgia de ambulatório e ainda uma área dedicada às neurociências e outra aos cuidados materno-infantis. Desde 27 de Dezembro de 2007, o Hospital de Santa Maria integra, juntamente com o Hospital Pulido Valente o Centro Hospitalar Lisboa Norte EPE (CHLN).

A 14 de Abril de 2009 abriu, junto à Urgência Central, a Farmácia Santa Maria, de venda directa ao público. Esta constitui a terceira farmácia hospitalar a abrir no país.